
Eis que surge um novo título da aclamada série da Konami criada por Hideo Kojima, umas das mentes mais brilhantes da atualidade quando o assunto é videogame. Metal Gear Solid: Peace Walker desenvolve um pouco mais da história de Big Boss, também conhecido como Naked Snake, seguindo como continuação do terceiro episódio, originalmente lançado para Playstation 2.
A essa altura, Big Boss já é reconhecido como um grande soldado e parte para seu ambicioso projeto: a construção de sua base de operações, aqui conhecida como Millitaires Sans Frontieres. Tal projeto daria origem posteriormente a Outer Heaven, mas isso já é outra história. O importante é que essa base de operações proporciona a maior novidade desse Metal Gear, juntamente com o multiplayer, no que diz respeito à jogabilidade.
Mas vamos começar pelo básico. A questão stealth, como não poderia deixar de ser, continua. As fases, também de maneira tradicional, consistem quase sempre em chegar até a um ponto específico do mapa, desencadeando acontecimentos. E a melhor forma de fazer isso é se esgueirando pelo cenário sem ser percebido, o que pra variar é difícil. Essa é uma das características que fazem de Metal Gear um game para jogadores hardcore: não é nunca fácil, exigindo eventualmente que o jogador repita as fases para acertar na condução do personagem. Há também, intercalada às fases principais, algumas outras que proporcionam treinamento de mira, de infiltração e também de combate.
O modo multiplayer em Metal Gear é bem interessante porque, de forma inédita na série, a cooperação agora acontece dentro das missões principais, as que determinam os rumos da história. E isso é muito vantajoso quando se está tentando destruir um tanque gigante com mais um grupo de soldados especiais prontos para aniquilar Big Boss. Assim, missões que são extremamente complicadas podem ter sua dificuldade amenizada pelo reforço de jogadores em prol do mesmo objetivo. Mas se você não tiver como encontrar alguém pra jogar junto tão facilmente, não tem problema: dá pra passar as fases em single player. Sem dúvidas, com muito mais esforço.
A base do grupo paramilitar de Big Boss é um dos grandes atrativos desse Metal Gear. Através de um item chamado Fulton Recovery System, você pode recrutar soldados para sua base ficar cada vez mais cheia de profissionais. Como isso funciona? Simples. Quando você atirar com uma arma com tranqüilizador em algum inimigo, enquanto ele estiver desacordado, você se aproxima e utiliza esse item, que consiste num para-quedas que leva seu inimigo às alturas enquanto uma aeronave de sua base o recruta lá em cima. Prontinho. No final das fases você conhece quem são seus novos soldados e quais são suas especialidades. Há várias delas: você pode escalar seu recruta para o time militar propriamente dito; o time de pesquisa e desenvolvimento (onde você cria novos equipamentos e armas), equipe médica (para tratar novos recrutas eventualmente feridos e desenvolver itens de cura para Snake), time de inteligência e até equipe responsável pela alimentação na base. Tudo isso você pode configurar manualmente, analisando as características pessoais de cada indivíduo. Ou pode fazer tudo de maneira automática, o que na verdade nem sempre é tão eficiente, dependendo de suas necessidades de momento.
Depois de um tempo, você pode enviar tropas suas desenvolvidas na Millitaires Sans Frontieres para agir em conflitos armados pelo mundo, escolhendo seus soldados (e veículos como tanques, os quais são possíveis de utilizar aqui também) e montando seus times de ação militar. É muito interessante e com certeza toma um tempo do jogador, mas não se pode negar que é empolgante ver suas tropas resolvendo conflitos e sendo vencedora pelo mundo afora (se forem bem sucedidos). Além das vitórias, novos indivíduos são recrutados também dessas outras partes do mundo, o que contribui também para o aprimoramento de sua equipe na base. Como se pode ver, há muito o que se fazer nesse Metal Gear.
Com relação à narrativa, não poderia ser menos cinematográfica. Sem contar muito, a história aborda a intervenção de Snake na Costa Rica, a fim de descobrir por que tropas da CIA estão agindo num país que aboliu seu exército e o que está por trás disso. A trama ganha relevância logo no começo quando Snake, para ser convencido a aceitar a missão, ouve uma gravação feita numa das bases da CIA no país, onde a voz familiar de The Boss pode ser ouvida. Isso pode não significar muito para quem nunca jogou o terceiro episódio, mas nada que uma pesquisa não resolva (esse é o preço a ser pago para quem não jogou todos os episódios da série).

Toda essa história é contada com gráficos que entram no top dos tops do PSP, além de sequências animadas em gráficos de HQ com uma qualidade que salta aos olhos. A trilha sonora é perfeita para as cenas e os atores são muito competentes em seu trabalho de dublagem. Uma coisa legal de salientar é que o título possui muito conteúdo para ser absorvido no que diz respeito a acontecimentos do mundo. Há momentos em que o jogo parece uma verdadeira aula de História Contemporânea, tamanha é a precisão e quantidade das informações. É exatamente isso que proporciona essa contextualização absurda da trama do jogo e a torna extremamente verossímil. Um grande trabalho de roteiro, sem dúvidas.
Acho que por esse review fica um tanto quanto fácil perceber que Metal Gear Solid: Peace Walker é um dos melhores e mais completos jogos já feitos para o portátil da Sony, certo?
