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Final Fantasy XIII

Final Fantasy XIII foi, indiscutivelmente, um dos jogos mais esperados para essa atual geração de videogames. Isso porque a tradição da série, de superprodução e de histórias marcantes, estava prestes a usufruir das maravilhas tecnológicas proporcionadas pelos novos sistemas. E, como sempre, havia também a expectativa com relação às mudanças na estrutura do jogo, coisa que a Square-Enix nunca hesita em variar.

Com a 13ª edição, não foi diferente. De cara, o que o jogador pode perceber é que houve um trabalho massivo na parte gráfica. Os gráficos que sempre foram um dos pontos mais fortes de Final Fantasy aqui se desenham em pixels da mais alta definição possível. As cenas não-interativas ressaltam ainda mais o esmero da produtora com seu universo e seus personagens, destacando cada fio de cabelo, cada expressão facial e cada perspectiva de luz da forma mais fiel possível, tornando a experiência extremamente imersiva. Falando em imersão, não há como deixar de destacar o principal ponto de investimento da Square-Enix nesse título: a narrativa envolvente.

A história desse novo episódio é o que molda o restante do jogo. Isso pode parece estranho de se compreender, mas o jogo mesmo mostra essa realidade. No papel principal está Lightning, uma personagem de personalidade forte, quase uma versão feminina do lendário Cloud, de Final Fantasy VII. Junto com os outros personagens, Lightning é descrita na sinopse como uma escolhida para salvar um mundo que não quer ser salvo. Esse mundo é Cocoon, onde o jogo começa. O outro mundo, para onde vão os “indesejados” (para não revelar muita coisa) é Pulse, um lugar hostil, amplo e natural, enquanto Cocoon é uma utopia de tecnologia.

Mas como exatamente essa história interfere na estrutura do jogo? É aí que entra o estilo da narrativa: Final Fantasy XIII está mais perto de um filme do que qualquer outro Final Fantasy. São várias as sequências de diálogos entre os personagens e o desenvolvimento de cada um deles numa dimensão maior do que antes. Essa intrínseca relação entre gameplay e roteiro é o que faz de Final Fantasy XIII um jogo tão linear.

Houve uma série de reclamações dos fãs mais puristas, dizendo que era tudo muito limitado e não havia mais a liberdade de exploração de antes. Em parte, eles estão certos: há um só caminho, pelo menos durante a maior parte do jogo. E é isso que proporciona o desenvolvimento da história tal como ela é: de outra forma talvez não fosse possível. Em determinado momento do jogo, depois da metade, os personagens acabam indo para Pulse, numa área chamada Gran Pulse. E é aí que as 62 missões extras podem ser feitas, para aliviar um pouco a agonia dos que temem a linearidade.

O sistema de batalha também é bem diferente dos demais jogos da série. Talvez a única coisa que seja familiar é o ATB (Active Time Battle, aquela barrinha que quando cheia permite a execução dos comandos) e as magias já conhecidas. Só que mesmo o ATB é usado de maneira diferente: a barra é formada por slots, que vão aumentando de quantidade conforme o desenvolvimento da história e dos personagens. Cada comando, seja um simples ataque ou uma magia, demanda uma certa quantidade desses slots. Sendo assim, não há mais MP (Magic Points).

Por serem vários slots, portanto, é possível organizar uma sequência de comandos para ser executada de uma vez. E a combinação desses ataques muitas vezes pode servir para fazer estratégias. Aliás, estratégia é a palavra mais adequada para sintetizar o novo sistema de “jobs”: os roles. Cada personagem tem seus roles, seus “perfis” de ações possíveis: há o Commando, mais ofensivo, com golpes físicos como destaque; o Ravager, que conta com a utilização de magias ofensivas; o Medic, encarregado de curar os personagens; o Saboteur, que se utiliza de magias para causar status negativos ao inimigo; o Synergist, que usa magias que causam status positivos aos aliados e o Sentinel, que se faz de escudo para chamar a atenção dos inimigos. Esses roles podem ser trocados durante as batalhas através de um sistema chamado Paradigm Shift, que proporciona uma complexidade grande às lutas.

A partir de determinado momento do jogo, todos os roles são liberados para todos os personagens, possibilitando ainda mais combinações. O interessante é que, pela variedade de configurações, as possibilidades são muitas, dependendo do perfil de quem está jogando. As Eidolons também estão presentes, uma para cada personagem (e até elas estão ligadas às suas histórias pessoais).

Com relação ao sistema de evolução, não há mais level, mas sim um sistema chamado Crystarium, parecido com o Garment Grid de Final Fantasy X, onde o jogador ativa habilidades pelo uso dos pontos ganhos nas batalhas. Esses pontos são ganhos de acordo com seu desempenho: ao fim de cada combate, aparece determinada quantidade de estrelas, que o jogo dá ao jogador analisando a eficácia de seus comandos para eliminar o adversário. Esse desempenho não interfere apenas na quantidade de pontos a serem usados depois no Crystarium, mas também na possibilidade de obtenção de certos itens dos inimigos.

Outro aspecto técnico do jogo que não se pode deixar de elogiar é a trilha sonora. Com certeza, é uma das melhores trilhas de toda a série. Até a música da cantora Leona Lewis usada (o que não é normal, por ser uma cantora ocidental) se encaixou perfeitamente no clima. Em cada área, logo de cara já dá pra perceber as mudanças nas músicas, o que se torna um atrativo a mais para aproveitar cada lugar por onde os personagens passam durante a história.

Final Fantasy XIII apresenta aos jogadores muitas mudanças, tanto na estrutura quanto no estilo narrativo, mas o faz com qualidade inegável. Mais uma vez, a Square-Enix não economizou na ousadia e decidiu fazer tudo diferente, para proporcionar uma experiência nova, e não apenas uma antiga renovada. O jogo só tem um ponto negativo: deixar nostálgicos os aventureiros que terminam suas intensas horas e os deixar esperando pelo próximo episódio.

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2 Comentários

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