Segundo um estudo conduzido pela empresa americana de consultoria JD Power, a introdução de novas funções em câmeras digitais tem cada vez mais complicado a vida dos consumidores. Apesar de todas elas contarem com o modo automático como a grande salvação na hora de tirar uma foto simples, poucos usuários conseguem usufruir toda a capacidade de seu equipamento. “Os fabricantes buscam formas de diferenciar seus produtos no mercado”, afirma Larry Wu, diretor de tecnologia da JD Power. “No entanto, a adição de novas funções tem tornado crítica a facilidade de uso e a conseqüente satisfação do consumidor. Criar funções com o foco no cliente, provendo instruções claras e precisas, é a única forma de manter um consumidor satisfeito.”
Estas conclusões foram obtidas após ouvir mais de 8 mil usuários de câmeras digitais entre abril de 2007 e março de 2008. (http://www.jdpower.com/corporate/news/releases/pressrelease.aspx?ID=2008105)
Enquanto isso, o que poucos usuários se dão conta é de que a leitura do manual de instruções de uma câmera fotográfica é quase um pequeno curso de fotografia, com ótimas dicas de como tirar melhor proveito do seu equipamento e por conseqüência obter fotos com mais qualidade.
No Brasil, um dos fatores que fez a câmera digital cair no gosto do consumidor é justamente a sua facilidade de uso. A tecnologia moderna permitiu o desenvolvimento de modos automáticos “inteligentes”, ou seja, que percebem o que o usuário deseja fazer, dispensando assim qualquer ajuste ou até mesmo a mudança de modo fotográfico.
Em outras palavras, uma câmera digital pode ter seus ajustes alterados para, por exemplo, tirar fotos de uma paisagem; e é óbvio que estes ajustes serão diferentes para tirar uma foto em close-up de uma flor. Pois hoje em dia alguns modelos de câmera já conseguem identificar o que está sendo fotografado para então oferecer a melhor condição de luz e exposição.
De certa forma essa foi a maneira encontrada pelos fabricantes para solucionar um antigo problema. “Poucos usuários lêem o manual de instruções, por mais simples e fino que ele seja”, afirma Fabiana Cunha, gerente de marketing da Kodak. “O consumidor brasileiro prefere usar o equipamento de forma intuitiva.”
Outra inovação que os fabricantes embutiram em alguns equipamentos para driblar a falta de leitura dos manuais de instruções foi a inclusão de pequenos textos explicativos na própria tela LCD da câmera. “Isso facilita muito a vida do usuário, pois é como se ele pudesse consultar o manual no próprio equipamento”, afirma Gardinel Vanzela, especialista em produtos digitais da Fuji.
A TTanaka, importadora oficial da Nikon, marca que ganhou fama entre os fotógrafos profissionais mas que também comercializa produtos para o público amador, acredita que poucos de seus consumidores usufruem o potencial máximo do equipamento. “Como nós importamos e também somos a assistência técnica autorizada, nós temos um contato próximo com o nosso consumidor. Temos um índice muito baixo de procura para consertos, mas quando isso acontece, muitas vezes não existe defeito, é apenas falta da leitura do manual de instruções”, afirma Francisco Tadeu da Silva, gerente de vendas da TTanaka.
Para os usuários que não gostam de ler manual, a TTanaka oferece suporte técnico por telefone ou e-mail, além do suporte presencial nas suas instalações, com agendamento prévio e sem custo adicional. A Sony também oferece cursos para os seus consumidores, mas apenas para aqueles que adquirem produtos da linha Alpha, que é voltada ao público amador-sério ou profissional.
Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Material Fotográfico e Imagem (Abimfi), estimava-se que em 2007 mais de 40 milhões de câmeras digitais estavam em uso no Brasil. Em 2008 cerca de 2,5 milhões de câmeras novas foram vendidas, e apesar da crise mundial, a expectativa do setor é de que as vendas anuais aumentem em até 13% em 2009. No site BuscaPé a procura por câmeras digitais também demonstra a popularidade do equipamento. Ela é a segunda categoria de produto mais pesquisada, respondendo por 26% das buscas realizadas no site, atrás apenas dos aparelhos celulares, com 29%.